16 junho 2006

Parabéns, meu amor

Hoje a Mariana faz anos. Nove.
Saltou da cama com um sorriso estampado nos lábios, ansiando pelos parabéns dos amigos, por ser o centro de todas as atenções.
Sou uma mãe orgulhosa do meu rebento, e sinto-me grande por vê-la crescer, cada vez mais segura, independente, responsável pelos seus actos. Por isso, quando pede a minha mão, eu sei que ali está uma mulher pequenina, mas que ainda precisa de colo, precisa de mim para continuar o seu caminho, certa de que a minha mão estará sempre por perto para a segurar. E sei que serei sempre a sua melhor amiga.
Hoje, o dia é teu, Mariana. Parabéns, meu amor.

Flor * 9:51 da manhã*

14 Pétalas
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03 junho 2006

Amizades

As amizades cultivam-se, cimentam-se, crescem como uma árvore, criam raizes, temos que preservá-las, temos que tomar conta delas. Temos de saber o quanto somos importantes uns para os outros, temos de saber ler o silêncio e as palavras, temos de saber a importância de um abraço ou a sua ausência. Temos de saber mantê-las.
Hoje eu preciso de mostrar a minha melhor amiga, não aquela que eu jurei que seria para sempre quando era adolescente e ignorava o futuro, mas aquela que nos desencontros que tenho tido com a vida tem estado ao meu lado, para os bons e maus momentos, aquela que ri o dobro do que eu rio quando estou disposta a isso, que chora por dentro quando choro o que me dói. Eu não preciso de lhe dizer, mas ela é para mim a irmã que eu não tive, a mão que se estende quando eu não a peço. O sorriso bonito que me oferece mesmo quando eu não o tenho. Aquela que se tem mantido a meu lado há muitos anos, e com quem tenho criado laços cada vez mais fortes. Aquela que me dá colo. A quem ofereço tudo o que tenho, por quem eu faço os impossíveis, se assim for necessário. Natércia, assim se chama. A irmã que nunca tive, mas que a vida me ofereceu nos seus tortuosos caminhos.

Flor * 9:39 da tarde*

14 Pétalas
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22 maio 2006

Minha Senhora de Mim


Comigo me desavim
minha senhora
de mim

sem ser dor ou ser cansaço
nem o corpo que disfarço

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

nunca dizendo comigo
o amigo nos meus braços

Comigo me desavim
minha senhora
de mim

recusando o que é desfeito
no interior do meu peito



Minha Senhora de Mim, Editorial Futura, 1974 - Lisboa, Portugal

Flor * 4:17 da tarde*

7 Pétalas
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15 maio 2006

Um brinde


Hoje quero brindar aos bons e verdadeiros amigos e a todos os momentos que passamos juntos. Ao riso até às lágrimas, à cumplicidade, à empatia e à entrega desinteressada. À amizade, simplesmente!

Flor * 2:45 da tarde*

5 Pétalas
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06 maio 2006

Projectos

Há alturas em que não temos projectos, caímos numa apatia que parece interminável, nada nos parece suficientemente empolgante para começarmos algo de novo e acomodamo-nos com o que está feito. Mas sabemos que não chega.
No entanto, não estamos sós, não somos os únicos a sentir que parámos e que urge encontrar algo que nos obrigue a sair do marasmo.
Sempre gostei de escrever. A escrita é para mim algo que me liberta, que me permite voar, embora sinta que estou muito virada para mim mesma, pois tudo o que inicio, se baseia em mim. Sonho desde pequena em escrever um livro. Agora esse desejo parece sobrepor-se a mim, sinto que preciso de o fazer, sinto que preciso de encarnar outra ou outras personagens de forma a libertar-me na medida do possível de mim própria.
Este blog é o espelho da minha apatia, os textos têm intervalos cada vez maiores, foge-me a inspiração e a vontade de escrever, e vou-me arrastando nos dias.
Há uma semana, partilhando este sentimento com uma amiga, surgiu a ideia, de voltarmos a escrever juntas, construir um blog, lembrando a nossa primeira experiência que foi gratificante.
O projecto nasceu, a vontade abraçou-nos e voltámos a escrever, numa febre desmedida, uma puxando pela outra, para não deixarmos morrer o gosto pela escrita, para nos mantermos ocupadas, deixando de por em primeiro plano as nossas preocupações, as nossas dores, os nossos desgostos.
Assim, em vez de apenas um blog, criámos três, mantendo os nossos pessoais, a solo...
Convido-vos a três viagens:

- 15 Linhas
- 1000 Folhas
- Coisas de nada

Se quiserem, passem por lá, é mais um empurrão para o bom caminho!

Flor * 11:53 da manhã*

6 Pétalas
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24 abril 2006

Comemoramos os 32 anos que encerraram o fascismo no nosso país, um certo tipo de fascismo, embora em determinadas alturas nos pareça que ele não está assim tão longe ou tão fechado a sete chaves como desejaríamos e acreditámos.A Revolução apanhou-me com 3 anos de vida. Desses dias recordo apenas que na minha mão foi colocado um cravo vermelho e o meu pai ensinou-me a fazer o V de vitória com os meus dedos pequeninos e assim debruçada na minha janela gritava as palavras sentidas do meu pai, como se fosse uma nova canção.Só mais tarde, sentada ao colo do meu pai, ele me ensinou o 25 de Abril. Falou-me das perseguições da pide, nos anos em que fora delegado sindical e representante da comissão de trabalhadores do jornal “O Século”, do medo de uma qualquer noite ser arrebatado da sua cama para parte incerta e por gente fascista. Das temerosas lágrimas choradas pela minha mãe, agarrada aos dois filhos nas noites em que ele tardava e adivinhava o pior.Também eu, anos mais tarde, de mão dada com o meu pai, caminhava em longas marchas, gritando ao lado de gente desconhecida, mas que me pareciam familiares, gritando palavras de ordem numa só voz. Aprendi o significado de um punho cerrado, a coragem de quem não se deixa calar, aprendi Abril.Tenho bem presentes os cravos nas pontas das espingardas e as dificuldades sentidas em casa quando o Jornal “O Século” foi fechado, a comida faltava e o emprego tardava em aparecer. Mantenho comigo, bem presentes os ideais comunistas defendidos pelo meu pai, por ter sentido na pele a dureza do regime fascista.Canto ainda de cor, por as ter aprendido em criança, muitas canções de intervenção e trauteio sem qualquer dificuldade o Avante porque me ficou presente de muitas festas com esse nome, no tempo em que era realizado na Ajuda. Embalei a minha filha ao som dessas canções. Hoje orgulho-me de a ouvir cantá-las. Agora que ela tem 8 anos de idade.Não ouvi falar de Abril na escola. Aprendi-o em casa, nos livros das estantes, lendo Ary dos Santos, admirando os capitães de Abril, ouvindo os discursos de Álvaro Cunhal, na liberdade que julgámos conquistada, na esperança estampada nos olhos do meu pai, quando o medo já não pairava na nossa casa. Lá continuam nas estantes esses livros, como troféus, apenas enraizados nas memórias desse tempo, dessa gente que sofreu as agruras de dias muito difíceis.Hoje o 25 de Abril é apenas mais um feriado. Banal, como qualquer outro. Os políticos fazem apenas longos discursos e enchem a A.R. de cravos vermelhos.E o espírito, o real significado, onde ficou? Foi-se perdendo nos anos e a maioria acomodou-se a um outro tipo de fascismo.Mas por aqueles que lutaram, que tiveram a coragem de dizer BASTA! e têm ainda bem presentes esses dias em que uma mão invisível lhes apertava a garganta e lhes queria calar a voz, eu grito com eles: 25 de Abril, sempre!

Flor * 11:34 da manhã*

5 Pétalas
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09 abril 2006

Há algum tempo

que a ideia da morte me atormenta, vagueia pelos meus pensamentos e eu vou tentando afastá-la de mim, convencendo-me de que essa senhora de negro não tem o direito de me incomodar quando lhe apetece.
A primeira vez que me envolveu, eu era criança. Sem qualquer motivo racional, pensei na possibilidade de perder a minha mãe e recordo-me que o meu pai me abraçou, me limpou as lágrimas, tentando acalmar o meu pranto. Recusei-me a dizer o motivo desse pranto. Foi uma imagem que guardei nas gavetas mais escondidas do meu coração.
Vi muitas pessoas partir da minha vida, nenhuma delas me afectando ao ponto de me conscencializar de que a morte é irreversível, que deixa marcar profundas e que pode deixar vazios enormes e que para eles não há remédio, não há consolo.
Vinte e tal anos depois, essa senhora de negro, revelou-se como real, decidindo levar alguém que me era realmente muito querido, que tinha um lugar muito importante na minha vida, tão importante que não tive tempo para pensar que era mortal, que apenas a morte nos afastaria, que ficaria um lugar impossível de preencher. Aquele som da terra caindo sobre o caixão continua a ecoar na minha cabeça e não consigo afastar de mim a dor de o ver partir, assim, deixando a certeza de um fim. Dizem que ficam as recordações. É certo que ficaram muitas. Mas nada disso consegue superar a falta fisica que me faz e a certeza de que não voltará.
Agora, a ideia de morrer atormenta-me cada vez mais, imagino a falta que faria à minha filha, tento imaginar como seria se a morte me levasse e cada dor, cada acordar menos pleno, faz-me ficar assustada, pedindo a um ser superior que não me leve, não para já. Não sei como lidar com esta ideia e muito menos como afastá-la de mim. Não sei como encarar a tal senhora de negro vestida que muitas vezes chega sem um aviso prévio, sem dó nem piedade. E não sei como consegue envolver-me com os seus negros braços e muito menos como tantas vezes me falta a força para a afastar dos meus pensamentos...

Flor * 11:02 da tarde*

9 Pétalas
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Nome: Flor

Idade: algures nos 30

E-mail: fmdp@sapo.pt


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